Espaços

sábado, 18 de janeiro de 2014

Conversa de músicas bregas

"Em sua primeira paixão, a mulher ama o seu amante.
Em todas as outras ela ama o amor."
[George "Lord" Byron]

E se você soubesse que eu ainda canto por você? Não que, depois de tanto tempo, eu force isso acontecer. Mas houve uma época em que aprendi a ouvir boas músicas. E por todo esse período você esteve ali, trocando figurinhas entre músicas novas e antigas. E aprendi a tocar violão. E fiz o repertório daquelas canções para você ouvir. Eu tocava para você. E você já me sorria ao final de todas as minhas canções. Coincidência ou reciprocidade, eu compartilhava com você quase os mesmos gostos... decerto, além dos musicais.

Não havia percebido isso até ir num show do Nando Reis e descobrir que o repertório era todo seu. Logo o Nando, você e eu, que temos em nossos nomes um 'n' como elo. Engraçado. Apesar (e porquê) de toda a pureza dos sentimentos, todo mundo via, era óbvio. Todo mundo achava que entre nós algo rolava. Você sabia tudo o que eu precisava sentir. E se não era amor, por que você me olhava daquele jeito, fazendo aquela bagunça no meu peito em cada vez que chegávamos perto? De qualquer forma, os meus braços sabiam o que queriam quando eu te encontrava.

Meu all star azul nunca chegou, o seu preto de cano alto talvez nem exista mais. E apesar de não sabermos quase nada do mar perdemos fins de tarde ganhando conversa afora, sentadas em dois barcos em frente à praia. Ainda naquele vilarejo, madrugadas e noites eternas foram regadas pelas nossas pernas, com suas mãos embrenhadas no emaranhado desses meus cabelos. Ao som de um violão, ouvíamos e contávamos conversas, casos, besteiras, sorrisos, segredos, songes et mensonges. E, assim, ao te conhecer dei pra sonhar, fiz tantos desvarios... Foi você quem trouxe toda essa saudade, toda essa vontade de morrer de amor. Mas a maré não virou e a vida acostumou. Ainda assim, sinto os teus sinais, de uma distância que vai guardar nossa saudade.

Então, quando tentei encontrar um amor pra assumir o teu lugar, na volta do exílio, eu não pensei na outra. Como fazer pra não querer demais seus 'ais' a noite toda? Desisti de procurar respostas. Na verdade, continuei sob a mesma condição: distraindo a verdade, enganando o coração.

Queria te dizer que não me importa com quem você se deite. Ainda assim, desde aquele dia, me recusei a escutar novamente todo carnaval tem seu fim. Por maior besteira que pudesse parecer, por muito tempo foi assim: não tinha dúvidas que com você daria certo. Hoje, caso superado. Se foi amor ou medo de ficar sozinha, não caberia mais o meu julgamento.

Por fim, quando todas as músicas que aprendi a gostar se entrelaçaram em você, depois de ter você, alguma trilha sonora resta para outro alguém?
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